Psiquiatria e Psicologia: semelhanças e diferenças

Há uma dúvida simples acerca da diferença entre duas profissões nada simples. Qual seria a diferença entre um psicólogo e um psiquiatra? Um dos motivos da confusão ocorre desde o início da pronúncia. Ambos comportam um prefixo em comum, iniciam-se com “psi”. O prefixo psi origina-se em PSYKHÉ:  “mente, alma, espírito”. Dentre suas semelhanças, também podemos destacar a marginalidade destes saberes. A psiquiatria é uma área marginal dentro da medicina devido a sua ampla elaboração sem grandes fundamentos empíricos, o que não é garantia de uma (in)eficácia enquanto tratamento. A psicologia trata de comportamentos e processos de subjetivação. E ainda é marginal no âmbito da saúde no Brasil, além de  o psicólogo ser o último dos recursos, isto quando não se recorre a amigos ou igrejas, tratada como uma profissão que “só conversa”.

Deixo ao leitor o mérito de ir associando outros inúmeros fatores que aqui poderiamos abordar e se lembrar sobre essas profissões. Vamos, portanto, direto à dferenciação principal e um tanto reduzida, pois escrevo para leigos.

A confusão se dá no fato de que estas profissões intervém sobre a mesma coisa – atendimento terapêutico – de  modo diferenciado. Abordarei aqui apenas a psiquiatria e a psicologia clínica. A grosso modo: o psiquiatra é um médico, trata-se de alguém que fez medicina e especializou-se em psiquiatria. Ele acompanha uma pessoa com menos frequência, e muitas vezes apenas para alterar o medicamento e avaliar o quadro. Ou seja, ele trabalha com a parte corporal do psiquismo, medicando e, assim como o psicólogo, também se serve da palavra, orientando o tratamento visando um quadro normativo.

O psicólogo fez um curso de psicologia de, no mínimo, cinco anos. Ele trabalha o funcionamento do psiquismo, o comportamento, os processos mentais (sonhos, desejos, auto-imagem, medos, frustrações…) e de subjetivação. O psicólogo acompanha a pessoa semanalmente e não medica de maneira alguma. Elabora-se as questões com a palavra e atos. Vale ressaltar que por vezes é completamente possivel associar um psiquiatra (parte medicamentosa, corporal) e o psicólogo (parte da elaboração de sua vida ou de modificação de um comportamento) em um tratamento.

Decidido a um texto curto, não abordarei questões éticas e epistemológicas. Os acréscimos ao texto deixo aos leitores em seus frutíferos comentários.

Abraços!

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3 Comentários

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3 Respostas para “Psiquiatria e Psicologia: semelhanças e diferenças

  1. Muito bom o texto. Mas gostaria de acrescentar algo. As doenças psicológicas são campos muito importantes de ambos os profissionais, porém as doenças orgânicas que se manifestam com sinais e sintomas psicológicos é um campo importante e vasto na medicina. Acredito que o Psiquiatra faz a conexão entre os distúrbios mentais e as doenças orgânicas, nesses casos. O curso de medicina é o principal diferencial nas diferentes abordagens desses profissionais, pois minha crença é que nunca podemos descartar alguma etiologia orgânica/metabólica antes de se efetuar um tratamento, por isso eu acho que o tratamento psicológico deve ser feito sob indicação estrita do psiquiatra.

  2. Thaís

    É delicado falar sobre uma divisão entre orgânico e psíquico e ainda estabelecer uma hierarquia, privilegiando um sobre o outro. Ainda somos muito cartesianos ao abordar as patologias do corpo e da alma como coisas distintas. Até que ponto é possível separá-las? Freud, embora fosse médico, operou curas nos corpos de seus pacientes trabalhando exclusivamente com as palavras. Nossos corpos também sofrem de palavras, do descaso público, das escolhas políticas, das organizações sociais, das instituições que nos atravessam, da nossa história e uma infinidade de coisas que geram padecimento físico. Considerando tudo isso, qual seria a etiologia desse sofrimento, que também é manifesto no corpo? Estabelecer uma hierarquia de saberes, sendo necessária a autorização de um médico para um tratamento psicológico pode ser uma grande armadilha, onde cairão pacientes e profissionais, da mesma maneira que é uma tremenda armadilha psicologizar qualquer sofrimento.

  3. Muito bom o texto do Prof. Alexandre Brito , curto e bem direcionado ao público!

    Instituto Fenix de Ensino e Pesquisa

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