Devir e movimento [Parte 2 -Final]

Não é necessário retomar tudo o que já escrevemos no texto anterior, levando em consideração que este mesmo signo de negação que evocamos aqui automaticamente o retoma de maneira abrangente e afirmativa, mas sem aprofundamentos. Fundamentos também não nos faltam, pois sabemos que para um cientista colocar em seu circuito profissional aquilo que ele quer dizer, há referências sustentáveis para tudo neste mundo. Absurdos são perfeitamente justificáveis, e muitos deles são conhecido por nós como o cientificamente comprovado ou “faço este mal pelo seu bem”. Se fossem coerentes com os fatos, não haveria contradição na ciência e na tola busca em torno da analítica da verdade, do universal. Sei que escrevo para não tolos, não me esqueço disso. Aliás, voltemos à memória.

Chamo de memória viva algo que justamente é incapaz de se firmar, o que não impede que ela seja capaz de afirmar. E é apenas isso o que ela faz com muito esmero e por vezes com muita dor. Toda expressão pode ser interpretada como afirmação, e isso a filosofia contemporânea o faz. Memória viva não é um conceito que invento, mas ela encontra-se em outros textos conceituada com outros nomes, pois hoje em dia as invenções estão carregadas de coletividades, em outros termos, o conceito perde a autoria e a identidade de seu autor, mas apenas presentifica-se nele. E esta memória dança sem parar. É a melhor bailarina, e faz performances até mesmo enquanto dormimos. São peças com cenas claras e um tanto obscuras, pois não tendemos a ter uma visão opaca do homem mesmo em nosso otimismo. Diferente de uma memória fixa, ela muda a cada lembrança. Articulam-se de modo que a memória que uma pedra traz em si é incapaz de fazer. São os homens que dão vida à pedra, sendo ela capaz de ficar em seu caminho. Pobre pedra.

Sabendo desta noção mais ou menos esboçada, a ética também é afirmativa, e o que ela afirma, senão a diferença? Ser ético é saber que não existe só você no mundo. Isto não é nada óbvio para quem trabalha com centenas de pessoas por ano. Afirmar a diferença é saber esquecer. Por incrível que pareça, ética e memória são indissociáveis, e é esta a minha tese neste pequeno texto. Algumas pessoas dizem que preferem esquecer determinados assuntos carregados de afetos que dolorosamente marcaram suas vidas, e não se permitem falar algo sobre isto. Não falar não é sinônimo de esquecimento. Não é porque você nega ou tende a ignorar algo que este algo vai deixar de existir. Nega-se apenas aquilo que existe.

A memória curta não é um problema. Ela desfixa qualquer consolidação, como a solidez da pedra, e qualquer lembrança passa pelos trilhos da linguagem e é atualizada. Falou, atualizou! Há ainda uma maneira de negar a existência em prol de um ideal que enforca o atual. O devir desnaturaliza em um instante essas identificações fixas, é o instante em que a coisa perde qualquer identidade, sendo ele mesmo incapturável sequer pelo tempo/espaço. Eu o aproximaria com a noção de um buraco negro da física quântica, que por ser mais veloz que a própria luz, nada reflete, apenas absorve e desconfigura para um infinito.

A cada vez que me lembramos de algo acerca de nosso trabalho do dia-a-dia, como uma espécie de reflexão, ele muda de orientação; a cada vez que falamos de nosso passado, ele inventa alguma saída, há um acréscimo, assim como uma elaboração; a cada vez que lembramos de uma dor, ela diminui e somos cada vez mais capazes de nos lançar em uma experiência de satisfação. Este jogo é muito próximo do que a natureza nos presenteia ao escrevermos próximo ao mar e ver uma onda apagar todos traçados feitos na areia, por mais detalhados e profundos que estes sejam. A água e a areia escorrem pelas mãos. Ao caminhar na praia e ver o mar apagar seus passos é a possibilidade de lá, no mesmo lugar, incluir novos passos. É puro movimento, devir e movimento.

Mas isso não diminui a importância do que se escreveu ou das marcas que se fizeram, sendo que agora há uma nova superfície, e toda vez que escrevermos ou tentarmos repetir a arte já desenhada, trata-se de uma nova experiência. Repetição inclui a diferença, e a vida prova isso, com sabores que nem sempre estamos preparados para experimentar.

É um exercício de coragem.

Devir e movimento [Parte 1]

Nesta semana fui indagado com algumas perguntas endereçadas a mim por estudantes da disciplina de ética no curso de psicologia. Eles se serviam de uma pequena câmera para gravar a conversa e o que tenho é apenas um pouco do que posso colher daquilo que minha memória tem a oferecer. Eles não me fizeram perguntas convencionais sobre a ética, mas isso me levou a pensar neste texto como algo disparador e que nada tem a ver com uma transcrição da entrevista. Trata-se de um pequeno texto sobre ética e memória.

Ao que tudo indica aos leitores, os textos deste blog não seriam fundamentados teoricamente. Isso não me é motivo de desconforto ou preocupação, pois estaríamos tratando de uma ocupação em compromisso com normas e fundamentações acadêmicas e suas paralisantes burocracias. Poderíamos apontar para uma direção ética de um texto e a noção de autoria. A noção de autoria não é alvo, mas dou pistas acerca disto ao afirmar que na verdade se trata sempre de um enunciado coletivo. Isto evita o rotulamento que se torna necessário para aplacar a angústia daquele que nos lê e não sabe de que (ou de quem) se fala. Aplacar nos suscita pôr em uma placa, e esta prática acalma os críticos que vêem uma obra apenas como um caso clínico de seu autor ou como cópia de idéias já vigentes. Impedir o movimento é sua profissão.

A psicanálise e a filosofia têm muito a dizer sobre o tema deste texto. A memória tem de ser pensada um pouco fora do senso-comum, pois dela nada desviamos se continuamos com as cegueiras da obviedade. E como poderíamos em algumas poucas linhas fazer uma composição indissociável entre ética e memória? Este é o nosso desafio, e é melhor parar de fazer borda e ir em direção ao nosso alvo em questão.

Devir! Esse é o grande responsável pelos possíveis rastros das linhas de que traço e que toca nas questões da memória e da ética. Ambos têm partículas de devir. A ética não é apenas uma postura, mas a afirmação do devir. Posto isto, sabemos da recorrência de todos que são provocados – pois a ética e sua aproximação com o devir é sempre uma provoca-ação – ao pensamento sobre a ética logo convocarem a moral para o debate a fim de se fazer esclarecer na aparente oposição entre eles. Fica mais fácil explicar uma coisa quando não se sabe bem o que ela é ou do que se trata afirmando tudo o que ela não é. Pois bem, no campo da ética não há um modelo, e isto precipita a questão das singularidades, já apresentadas neste blog, o que nos permite sempre promover um curto-circuito no pensamento, e do estilo. O estilo, do latim stilus, significaria uma ‘maneira de escrever na argila com uma vara’. Em casamento com nosso pensamento, a escrita é uma questão de estilo, de algo que é impossível de se aprender, de se apreender. A cada vez que lemos um texto, um poema, um livro ou até mesmo uma frase, ela nunca é capturada completamente. Fecha-se um livro e suas palavras mudam todas de lugar. Isto é ampliado ao campo da fala, das relações, das invenções, dos enunciados e nas relações com o outro, pois a ética evitaria o preconceito no exercício da afirmação da diferença. Não é diferença enquanto identidades sociais ou identificação, pois isso gera conflitos étnicos, mas diferença em si mesmo. Não tratamos o outro de maneira muito próxima de como tratamos a nós mesmos?

A memória muito deve ao aparelho cerebral. Mas não podemos ler um pensamento, uma imagem recordada ou alucinada em simples termos de sinapses e periféricos. Os fenômenos de linguagem são convocados o tempo inteiro, sendo que a memória pode ser, inclusive, feita pra esquecer. O esquecimento é saudável e necessário ao homem em seu convívio com as inúmeras exigências da vida. Deixamos claro ao leitor que tudo isto tem a ver com desejo e o corpo, mas estes não serão os temas aqui desenvolvidos.

Podemos ter a memória falada, de geração para geração, a memória desenhada nas pedras, escrita e arquivada. Mas nos interessamos e apontamos para uma memória corporal, nisto que apontar não diz sobre a coisa, apenas aponta para ela pelo que indica o indicador, pois dizer e descrever sempre deixa algo de fora. Apontar afirma o que fica de fora, e nisto afirmamos o devir. Não falamos de uma memória em termos de informática, nem de um registro fixo ou marcações bem definidas, assim como os apaixonados tentam eternizar seu encontro com uma gilete demarcando com um corte a forma de um coração em uma árvore. O coração da árvore não é a mesma memória que inclui em si o devir, as memórias curtas e vivas. Tão vivas que esquecem, modificam, (des)organizam um história, inventam uma existência.

No próximo texto vamos assumir alguma possibilidade de conceituação do devir e suscitar o que chamo de memória viva e dançarina, e a ética em composição com o que tudo isso tem a ver com minha prática clínica. Ainda temos algumas outras articulações que nos põe em salto razante e em movimento, mas por enquanto, é tudo o que minha energia de memória em pequenos lapsos de devir tem a dizer.

Amar é padecer no próprio paraíso [Parte 3 – Final]

Há anos a música declara seus amores e traz pequenas mudanças ao mundo de um coletivo, de um indivíduo, de um ímpar e de um par. A música é feita de sons e, fundamentalmente, de silêncio. Isso faz parceria com a arte e com a invenção, com aquilo que nos toca, com as intensidades que nos calam. Muitas vezes não há nada melhor que dizer senão pelo silêncio, pois um dito jamais traduz um dizer. As crianças, que mal sabem se servir das palavras e livres de alguns de seus efeitos de aprisionamento, nos ensinam muito bem que o que somos hoje é apenas uma das possibilidades, uma escolha. Não se ama porque se diz que ama, e as crianças nos provam isso em toda sua superfície, em cada um de seus poros. Um coração é um símbolo insuficiente para se traduzir o que se sente. O amor infantil é como um sonho lúcido, mas sabemos que muitos o experimentam como verdadeiros pesadelos.

Notável como pode parecer ridículo um casal apaixonado e as maneiras como eles se tratam e se nomeiam. Amar é saber viver essa maneira ridícula de ser, é suportar ser par, ser um pouco de criança. No amor atualizamos o que há de infantil em nós, essa sincera capacidade de amar sem medidas, sem provas e de maneira inventiva, sem padrão anterior. Eu achava que o amor era uma loucura, agora tenho certeza, mesmo que seja uma certeza provisória de meu otimismo. Aliás, se pudéssemos mudar o mundo, poderíamos começar com o amor, pois qualquer encontro com ele já produz uma mudança, sendo que muitos daqueles que querem mudar o mundo realmente conseguem algum resultado, mas podem ficam prejudicados nesta ambição e não perceber que mudaram o seu próprio mundo. A noção de mundo é muito vasta e não diz nada, preferimos pensar em partículas, pequenas revoluções, e isto pode ser assunto para outro texto.

É impossível ser perfeito no amor, não se trata de ser o melhor, mas ser o que podemos ser. Também não cairemos nos duros comandos que categoricamente dizem para amar com toda intensidade e ao máximo, pois na perspectiva que apresentamos – que está de mãos dadas com a imprecisão e desfeita de conclusões justamente por ser uma perspectiva – é impensável conceber um amor ideal, medido, perfeito ou mesmo pela metade. Mesmo que imperfeito, o que sustenta o amor é a crença de que seja eterno, é sua razão de ser, se é que podemos falar em termos de razão. As imperfeições e os erros são tão importantes quanto os possíveis acertos e o visado sucesso, somos ambas as experiências. Negar nossos erros é um grande erro.

Há sempre um campo aberto na relação entre os sexos, o que nos convoca a jamais apontar um conjunto fechado e ordenado, e toda tentativa científica e religiosa de fazê-lo fracassou. Cada um vai produzindo alguns modos de sustentar as exigências da vida, e isto implica em viver com o outro e sua presença/ausência. Vimos no texto anterior uma maneira repetida de relacionamento e toda dureza que isto implica. Neste empreendimento, há os que simplesmente se aventuram no campo da sedução, e logo que se convencem de que são desejados por alguém, este certo alguém perde a validade pois já foi devidamente fisgado. Fazem filas incontáveis e acabam satisfeitos com este princípio, mas não tem ninguém mais do que seu próprio travesseiro no silêncio da noite. Alguns acabam por odiar e agredir seus amores pois estes evidenciam todas as ‘fraquezas’ em jogo apenas pelo fato de amá-los. Conheci pessoas que se entregavam completamente para o ser amado e se colocavam em segundo plano, fazendo presença maciça, se apagando em prol deste alguém, sendo que este não tinha tempo nem chance de sentir saudades. O parceiro pode realizar isto com o fim do relacionamento, pois ninguém ama um pobre jarro vazio que não lhe faz falta. Alguns outros ganham valor com sua ameaça de perda. Há também os que dizem jamais ter amado e investido este afeto que acompanha o homem desde quando se entende por gente, e também aqueles que morreram de amor. Investir é vestir o outro com suas próprias roupas, o que inclui o risco necessário de que nem sempre vai servir. São labirintos sem saída. Evitar o drama de amar é evitar se arriscar. É preciso inventar e correr este risco, e voltamos à composição do início deste pequeno texto apaixonado.

A música e a infância são experiências incríveis. Eles desarranjam nosso forçado mundo adulto montado em moldes e padrões, em burocracias que impedem os desejos, este mundo em que gastamos preciosa energia para sustentar e arranjar. Não estamos numa época em que predominam os amores arranjados, com casais unidos por um sobrenome ou por árvores genealógicas. Nosso amor não tem lógica, é um amor de escolha e responsável, sem um motivo que o cause, pois não se justifica o injustificável da vida. Nosso texto jamais pretendeu revelar algo sobre o amor, pois teríamos que imprimir um texto para cada um de vocês, ou seria apenas uma folha em branco. O amor nos mobiliza e com amor escrevo estes textos para vocês.

Amar é  praticar um novo começo…

 

 Alexandre V. Brito

Amar é padecer no próprio paraíso [Parte 2]

Tivemos uma introdução acerca das maneiras em que o amor percorre os sujeitos e pensamos o homem em suas mil maneiras de amar e ser amado. É claro que o amor é irredutível, não podemos e nem sequer temos a menor pretensão de lhes apresentar as maneiras de se amar, e nenhum destes textos aqui publicados tem o equívoco de supostamente explicar o amor. Estamos precavidos disto, o que não impede que falemos de amor. Os filósofos e os poetas o fazem há centenas de anos, dando testemunho de que o amor ressoa diferente entre os envolvidos, deixando-os sem qualquer garantia, mas recobre as distâncias entre eles. Precisamos de alguém que nos mova, que cause certa inquietação diária. Aliás, estamos sempre às voltas com as provas de amor, ele exige ser conquistado todo santo dia, pois amar alguém não nos assegura de absolutamente nada, só a condição de que sentimos a falta desse certo alguém, que não somos completos e muito menos nos bastamos a si mesmos. Por fim acabamos por repetir incontáveis vezes: Eu te amo!

Oferecemos um mundo inteiro a quem amamos, oferecemos a lua, o céu, o mar, o coração, o amor eterno. No amor prometemos tudo o que nos falta, aquilo que nos é impossível de dar. Muitas vezes o outro, também com prejuízos em sua lucidez, aceita esse mundo e faz parte dele. Ambos dizem respeito e são responsáveis por esse amor, e acabam por ir de encontro com suas vulnerabilidades. Eis um campo propício para um ser humano viver diferente todo um mundo que construiu até então, em que o cheiro das flores muda, o sabor do feijão é alterado ou acentuado, e todo lugar é uma possibilidade de encontrar ao acaso este amor endereçado. Como é louco um apaixonado: ele alucina, ouve a e vê coisas que só ele pode sentir. O interessante é notar que é possível amar qualquer um neste mundo de bilhões, ou seja, aquele que devotamos todo nosso amor não nasceu exclusivamente pra nós, apesar disso ser poético e invocar o destino como única explicação razoável. O que estamos nos aproximando é de um pensamento que indica que procuramos incessantemente um alguém que nos completaria, mas que jamais existiu. E isso nenhuma psicologia pode explicar, o cientista apaixonado perde suas certezas, sua janela da alma muda o suficiente para viver um pouco mais de poesia em sua vida. E o que amamos em uma pessoa?

Já escrevemos nesse blog que o corpo é fonte e alvo, e o amor não está fora desta noção. Amamos muito daquilo que diz de nós mesmos, e somos nós que sofremos a consequência de nosso amor, sendo que o amor que pode criar a sensação de liberdade também cria a dependência, pois precisa da existência do outro; e como é doloroso quando o perdemos ou quando ele morre. Cuide bem do seu amor. Mas esta condição também é uma das responsáveis pela face de ódio que ele nos provoca: eu te odeio justamente porque te amo! Não há coisa pior do que ser dependente de um certo alguém, apesar de que o querer tornar-se dependente pode ser a primeira visada por alguns no campo do amor. E somos capazes de repetir nosso amor com várias figurinhas, o que nos conduz mais uma vez ao inevitável amor/ódio de si.

Algumas pessoas se aventuram em diversos arranjos amorosos com diferentes parceiros, mas acabam por repetir uma maneira de amar. Há casos em que os relacionamentos sempre terminam pelos mesmos motivos, ou este amante acaba por encontrar parcerias que tem sempre um traço em comum, e acaba por culpar o destino injusta e covardemente. Esse amor marcado pela falta de criatividade não se dá conta de que os problemas que se repetem e a pessoa em comum em todos estes parceiros é ele mesmo. Acaba por afogar-se em sua própria imagem. Mas sempre há muito de nosso eu nos amores, e uma prova que temos na carne acerca disto é quando nosso amado morre e sentimos que parte de nós também se foi. De alguma maneira, o amor é sempre um pouco egoísta, desejamos que nossos amores vivam para sempre. E nessa relação com o outro há sempre um risco da alienação, e o ódio exerce todo seu papel de construção/destruição de si e do outro, sendo tudo isto possível nas oscilações de um mesmo dia.

Insisto na noção de outro, pois ele garante nossa existência. Todos querem existir no mundo, ter seu pedaço do bolo, e precisamos do outro para garantir que isto ocorra. Não há coisa pior do que não ser notado por aqueles que amamos, é como se não existíssemos. Não há nada pior do que ser ignorado, sendo que o ódio ainda tem um papel privilegiado neste caso, pois não é qualquer um que odiamos ou que nos odeia com todo seu fervor. Ser alvo do ódio é ainda ser alvo de afetações, é fazer laço social. Ficamos, por fim, às voltas desse amor de espelho, o que nos induz ao próximo texto do blog com algo para além dele. Um amor do acaso, diferente em nossos tempos, responsável e inventado, diferente do amor ideal, mas ainda assim, sempre infantil.