As Substâncias Psicoativas e Nós [Parte I]

ciddNossos corpos se excitam e se deprimem diversas vezes ao longo do dia. Nosso corpo se expande e se contrai ao longo do dia, desperta e esvanece. Nesse caso, não se trata do estado depressivo assumido enquanto doença por nossa sociedade, em que algumas insatisfações e tristezas recorrentes logo são vistas como questões patológicas, enquanto que as condições de vida que levam ao estado de tristeza e de insatisfação não entram em questão, mantando-se desfocadas. Enquanto isso, o sujeito perde o foco de si mesmo. 

Nosso corpo produz trocas fundamentais para que alterações aconteçam o tempo todo, paralisadas apenas na morte. Nosso organismo realiza encontros e trocas com elementos internos e externos. Nesses encontros existe, necessariamente, uma transformação. Por exemplo, quando a insulina opera (interno) ou quando ingerimos um alimento (externo) há transformações em todos os níveis. No entanto, interno e externo só podem ser separados didaticamente, pois um se integra ao outro num engendramento, numa reciprocidade.

Alguns de nossos estados são alterados quando ingerimos determinadas substâncias que podem nos expandir ou nos contrair. Nosso organismo responde como um todo, e por isso não acredito que devam ser pensados apenas enquanto “mentais”, mas estados globais. Vamos pensar em alguns exemplos.

É comum o brasileiro acordar pela manhã e servir um café, um achocolatado e sentir-se mais desperto (ou não, né?). Assim como sentir-se, após o almoço, uma sonolência arrebatadora. Vale ressaltar que as palavras também se misturam aos corpos e nos excitam ou deprimem – mas isso é assunto para outro texto. E assim, percebemos que todos nós, em maior ou menor medida, fazemos uso das denominadas substâncias psicoativas. Elas alteram o estado de nosso organismo, pois a partir de seu uso ficamos mais despertos, sonolentos, calmos, irritados, angustiados, excitados, enjoados, aliviados. Dependendo da substância, a forma de seu uso e do sujeito em questão, podem ser desencadeadas alucinações, coma profundo, delírios e mesmo a morte. Assim como podem ser um auxílio em diversos tratamentos na direção da cura de determinados sintomas.

Vamos nos guiar em acordo com o CID 10 (Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde) e situar algumas das substâncias e os denominados “transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa”. O CID 10 é um manual com cunho universal, que tem como objetivo uma classificação global das doenças e assim possibilitar uma comunicação unívoca acerca dos diagnósticos entre profissionais de saúde em todo o mundo (por causa de sua padronização), bem como ser fonte científica na legitimação de determinados diagnósticos.

Sendo assim, percebemos que o CID possui força política, social e econômica. Por exemplo, quando um sujeito precisa de determinados direitos em detrimento de uma doença (como uma licença médica), o CID 10 é fundamental para que sua doença e seus direitos sejam autorizados no campo social.

Por fim, vamos desenvolver no próximo texto quais as principais substâncias e os transtornos, como entendê-las a partir do CID 10 e a questão dos usos e abusos.

Quando usamos uma substância nos integramos a seus elementos de tal forma que nos tornamos aquilo que ingerimos. Não há distinção entre o que somos e o que consumimos, e essa é a maior transformação envolvida nas trocas que nosso organismo realiza. Afinal, vivemos de (ab)usos o tempo todo, e tudo depende do uso que fazemos das coisas. 

Nada é bom ou ruim a priori. Um veneno pode matar mas pode se tornar em seu próprio antídoto.

O que dá a vida também pode tirá-la!

remedios-grande

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2 comentários sobre “As Substâncias Psicoativas e Nós [Parte I]

  1. Dai fica a questão de até onde, quando devemos ou necessitamos de consumir essas substâncias psicoativas. Como será no futuro?

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