As Substâncias Psicoativas e Nós [Parte II – CID 10]

categorizarPara que possamos melhor trilhar nossos estudos e pensamentos sobre a questão dos “transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa”, precisamos trilhar por um campo já consagrado na literatura e na prática das ciências humanas: o CID em sua décima versão.

Seja para usá-lo, seja para refutá-lo, uma crítica exige um conhecimento mínimo acerca de seu objeto-alvo, para que, assim, possa ser considerada como um passo que contribua no avanço de nossos estudos. Criticar sem saber o que se diz ou comprar e repetir uma crítica alheia como se fosse um atalho para o próprio pensamento é exercer a ignorância frente ao desconhecido, é resistir apenas pelo prazer de criar oposição. Lúcidos dessa situação, para que não cairmos nessa armadilha perversa, vamos no inclinar para a literatura em questão e desenvolver alguns pensamentos.

O CID 10 apresenta diversos segmentos que abordam as diversas doenças agrupadas em vinte e duas categorias. O Capítulo V, em particular, tem como título os “Transtornos mentais e comportamentais”. Nele encontramos os famosos “F’s”, indicando, por meio dessa letra, que estamos no âmbito das questões “mentais”, desde a demência aos transtornos mentais não especificados. Em nosso caso, as alterações provocadas por substâncias psicoativas estão entre o F10 e o F19.

A substância envolvida é indicada por meio do segundo e terceiro caractere: F1x. Portanto, se há uma indicação de F1x (em que x varia de 0 a 9), sabemos que há a presença de substâncias psicoativas no diagnóstico da questão mental. Isso é importante para que os profissionais possam classificar a partir de um signo comum e universal. Peço que o leitor pesquise o que cada número (no lugar de x) indica, pois isso é fundamental para se discriminar quais substâncias que estão presentes. O número zero (F10) indica transtorno devido ao uso do álcool, o quatro indica cocaína, e assim por diante.

No entanto, para além da substância em questão, há a condição clínica que deve ser considerada. Levamos em consideração os padrões relacionados à busca, ingestão e ab(uso) das substâncias. A indicação dessas condições surge a partir de mais um dígito na classificação realizada, um quarto caractere, que apresentamos a seguir com a letra Y: (F1x.y). O y vai variar entre os números 0 (zero) e  9 (nove). Temos assim, por exemplo, a intoxicação aguda representada pelo zero (F1x.0), síndrome de dependência pelo número dois (F1x.2), transtorno psicótico pelo número cinco (F1x.5), e assim por diante.

Assim encerramos mais um estudo sobre o tema, um pouco mais alfabetizados em relação ao CID no âmbito de nosso interesse. É fundamental o leitor buscar se aprofundar nas categorias que citamos, pois não avançaremos no estudo particular de cada uma delas, visto que apenas nos interessa a lógica de sua construção. Indicamos o “livro azul”, destinado apenas a tratar da parte “mental” do CID, denominado “Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10”, pois é específico e econômico.

Da construção à desconstrução, da desconstrução à construção… assim seguiremos.

Até a próxima!

ccid

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