Um tempo sem tempo

Monstro do tempo - jacek yerkaTemos tempo, sempre temos tempo pras coisas!

Temos tempo pra estudar, pra viajar, pra se encantar, se apaixonar, trabalhar, ler o que ainda não leu, cuidar de si ou de alguém que precisa de ajuda. Temos tempo pra ver aquela série completa de nosso seriado favorito, de ir no show de nossos sonhos, de terminar aquilo que falta pra mais um sucesso em nossas vidas.

Tempo de se dedicar a um curso, iniciar um projeto, tempo pra se encontrar com velhos amigos, tempo para conversar. Temos muito tempo pra fazer o que sabemos que precisa ser feito e em como ocupá-lo ou otimizá-lo com precisão! E sabemos, racionalmente, quando estamos “desperdiçando” nosso precioso tempo, enquanto poderíamos estar aproveitando-o de outra forma…

Mas não somos tão precisos, mesmo em nossa relação com o tempo, somos demasiadamente humanos. Por vezes desejamos parar no tempo ou ter tempo pra não ter que se preocupar com aquilo que nos ocupamos em todo nosso tempo.

O que temos feito com nosso tempo? O que o tempo tem feito conosco?
Damos tempo ao tempo e pedimos mais tempo…

mesmo quando está sobrando tempo!

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2 comentários sobre “Um tempo sem tempo

  1. A burocratização do tempo está tão naturalizada pelo ser que é incrível como as pessoas (e me incluo), mesmo se queixando de não possuir tempo para nada – a não ser para as obrigações que sistematizam o tempo disponível – não sabem o que fazer de seu tempo livre. A velocidade das relações e das informações impulsionam de tal forma o utilitarismo que o ócio necessário para o desacelerar, tão necessário para nossa saúde mental, parece perda de tempo, quando é exatamente da falta desse “tempo de nada” que nos queixamos…

  2. Boa noite, Bruna!
    De fato, fica instituído, em seus termos, “naturalizada” a “burocratização do tempo”. Perfeita condensação da ideia do texto, sintetizada em tão poucas palavras.
    Há uma especie de agonia experienciada por muitos quando não há “nada pra fazer”, ao passo que exigem seu “tempo de nada”…
    O ócio tornou-se um pecado que colou em nossa época e, mesmo em forma de brincadeira, ele é materializado quando estamos gozando de um tempinho livre e alguém lhe diz: “Vai arrumar algo pra fazer!”
    Fico feliz com sua contribuição!

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