O sono e o sonho [Parte I – Apresentação]

hipnos e tanatosQuando operamos um computador de mesa comum (ou um smartphone) por muito tempo, ele acumula e realiza processos diversos e de maneira simultânea, criando memória, atividades em segundo plano, registros, lixo e as mais diversas conexões. Além disso, liga-se a outros aparelhos fisicamente e a outros programas virtualmente. Imprime, escaneia, aquece, transforma as diferentes formas de energia (física em elétrica, elétrica em visual) e, por fim, vai se esgotando ao longo do dia. Não nos surpreenderíamos se percebêssemos que vai haver um momento em que esse dispositivo vai esgotar suas energias e assim terá de ser reiniciado, como se fosse um breve sono que resultaria num novo despertar, evitando a destruição de seus componentes.

Assim que reiniciado, alguns processos deixariam de estar acumulados, corrigindo alguns breves erros e permitindo que diversas operações que sofreram com o prejuízo do trabalho ininterrupto voltem a funcionar novamente. Esses exemplos mostram que os dispositivos trabalham como um quebra cabeça que funcionasse de modo inverso, ou seja, as peças iniciam todas em seus devidos lugares e, com o tempo, vão se fragmentando, se separando. Há um limite delicado entre sua vida útil e sua própria “morte”.

Nesse sentido, vale lembrar que também pode haver o curto circuito e a perda de memória como dois exemplos de “caos” que podem ocorrer. O curto circuito geralmente se manifesta no hardware (parte física) e a memória pode ser prejudicada a partir do software (a interface do sistema). Interface significa justamente a união realizada por esses dispositivos, o tendão que liga um corpo a um funcionamento específico.

Interessante notarmos como essa tecnologia pode oferecer uma pequena analogia com o sono em nossas vidas – até certo ponto e com a ressalva de que não estamos comparando máquinas com humanos como se fossem símiles ou equivalentes. Analogia, por sua vez, tem o prefixo latim ana que significa “em acordo”, e assim podemos perceber que usar esses dispositivos como exemplo podem facilitar a compreensão do que se busca transmitir.

Ao dormir, o sujeito “reinicia” seu ser: novas e antigas conexões de pensamento são produzidas, novas memórias são despertadas, elaborações são realizadas, o corpo entra em uma espécie de paralisia motora, os órgãos internos diminuem seu ritmo, hormônios são liberados, imagens são formadas e experiências oníricas são experimentadas, sensações vividas, além das mais diversas manifestações que podem ocorrer ao dormir. Diferente de uma máquina qualquer, quando adormecemos ainda permanecemos em atividade, apesar de muito de nosso sono seja de repouso. O sono, aliás, é aquilo que nos domina e que, quando entregues a ele, não há como percebê-lo. Só é possível testemunhá-lo ao acordar. É necessário que haja uma entrega ao desconhecido, ao que há de estranho em cada um de nós.

Assim como os outros animais, os humanos possuem a necessidade de dormir, apesar das diversas torções que são realizadas. Trocamos, por exemplo, o dia pela noite, ou sequer dormimos cotidianamente.  Dormir também pode ser um pesadelo, ou mesmo um motivo de medo – principalmente nas crianças. Além disso, o sono pode ser sinônimo de morte ou conseguir dormir ser um golpe de sorte. Por vezes, não há o descanso esperado e tão comum a todos. Além dos excessos: as insônias e os que nunca saciam seu sono, mesmo que venham a dormir por muitas horas seguidas. O ato de dormir, portanto, não é regulado simplesmente pelo biológico, mas pelo nosso plano lógico.

No próximo texto devo desenvolver alguns pontos apresentados e trazer algumas ideias sobre a companhia favorita do sono: o sonho.

Sendo assim, me despeço provisoriamente de vocês pra que eu também possa dormir…

…vou descansar um pouco para que as ideias do próximo texto tenham melhor expressão.

Um bom sono a todos!

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