A vida e a necessidade de novos fôlegos

Pensamento ser fôlegoExistem momentos em que precisamos reiniciar. Reiniciar um notebook, um smartphone, uma frase ou uma forma de amar. Reiniciar a si mesmo, nossa bússola, nosso próprio radar. Reiniciar o trabalho, a saúde, o sexo, o que parece não haver mais saída e as indagações sobre a vida. Sabe quando você reinicia seu aparelho? Ou quando as coisas travam e é preciso começar de novo, testemunhando nossas mortalidades, em que uma surpresa e um novo suspiro nos oferecesse a beleza de suas novidades? Precisamos de um novo fôlego! Mas, afinal, o que isso significa?

Seria voltar atrás ou dar um passo adiante? Talvez contar com a sorte, com as escolhas ou com os anjos? Seria uma liberação de espaços e a produção de novos arranjos? Trata-se de uma nova direção, uma reparação, uma construção, uma condução ou se dá a partir de uma sedução? Reiniciar pode ser tão fundamental que se um dia resistirmos exaustivamente contra sua ocorrência simplesmente nos desligaríamos, com risco de se apagar e nunca mais voltar. É preciso fôlego para, instantaneamente, ser e deixar de ser o que somos. Interrupções, descontinuidades, novidades, interrupções…

Quando uma parte de nós trava logo percebemos que uma paralisação, obviamente, é o oposto de uma continuidade. É um assassinato da temporalidade. Por vezes perde-se a batalha, mas isso não significa o fim da guerra. Mas uma parada do pensamento pode ser tão fatal quanto uma parada cardíaca. Quem morre é o ser… Deixar de pensar é deixar de ser.  É desaparecer! Tornar-se invisível.  É preciso extrair do riso alguma seriedade e tornar algumas seriedades em algo responsavelmente risível.

Precisamos encontrar novos ares para o pensamento, para o corpo, para o amor, para a moralidade, para a gestão pública, para as instituições, para a música e para o trabalho nos tempos atuais. É preciso novo fôlego para viver as diferenças e os iguais. A exaustão pode ser um sinal da falta de precaução, de respeito, negação da invenção. Talvez sejam necessárias novas cautelas e menos tutelas. Uma vida em que o outro não é apenas uma ameaça, mas a possibilidade de uma graça. Uma vida em que a gente se canse de ser o que somos e possamos ser um pouco diferentes. Menos resignados e mais agentes. Ou até mesmo que fabriquemos pensamentos que sustentem novos modos de ser e agir. Ou mesmo pensamentos que nos tire de algum juízo e nos ofereça um lugar ao sol sem o risco de nos queimarmos e padecermos em nosso próprio paraíso.

Um lugar onde as pessoas não morram por pensar, existir, desejar…