Três tipos de amor (eros, philia e agapé)

Três amores ágape philia erosCaso pudéssemos dividir o amor em três formas de amar, poderíamos recorrer à eros, philia e agapé. Seriam, respectivamente, o amor desejante, o amor virtuoso e o amor incondicional. No entanto, a alma mais cética reivindicaria para si formas exclusivas e singulares de amar, afirmando que essas três opções seriam insuficientes para nomear suas experiências. Ou seja, não seria possível traduzi-las em um texto, pois resistem às classificações. Aliás, alguns sequer acreditam que a palavra amor (ou qualquer outra) poderia nomear o que uma experiência pode lhes proporcionar. Portanto, acredito ser mais prudente deixar os amores de cada um a cada um para que possamos nos aproximar e descrever algumas formas, tão trágicas quanto poéticas, de amar.

A primeira seria justamente a identidade entre o famoso desejo platônico e o amor (eros),  em que amar = desejar. O desejo platônico diz respeito à carência, em que desejamos aquilo que não temos, numa relação tão distante quanto desejante. Trata-se de um desejo suicidário, pois sua condição de existência é a ausência. Quando há o encontro entre desejo e desejado o amor acaba, brotando um novo amor. No amor platônico a admiração é mais importante do que a realização.

Em contrapartida, o amor aristotélico (philia) é um amor na presença e a partir de uma relação de reciprocidade no aperfeiçoamento das virtudes dos envolvidos. O cuidado de si e do outro é a riqueza desse encontro. Eis uma união coroada com um laço – horizontal – agradável e duradouro. Duradouro justamente por não haver hierarquia, pois numa tirania não há amores ou amizades, apenas desconfianças, interesses e ameaças. Philia, enfim, pode ser traduzido como um amor da convivência que deseja o bem ao outro e que extrai prazer da companhia.

O terceiro amor (agapé) seria a forma mais rara, pois tem natureza incondicional. O que isso quer dizer? Significa que é um amor pela humanidade, independente das circunstâncias, pois é um amor benevolente e não-egoísta. Não exige, necessariamente, uma ausência desejada ou uma presença alegradora, mas fazer o bem e ajudar o próximo, como encontramos no mandamento cristão.

São três modos de amar que não são excludentes entre si, mas que podem ser experimentados pela mesma pessoa em diversos momentos. Suas variações são incalculáveis, o que faz de cada amor um novo amor. Vale ressaltar que esses amores entram em acordos e desacordos, lembrando que cordis significa coração e a palavra ‘acordo’ é uma variação de concordar, que significa “corações juntos”. Seja na ausência carente, na presença alegre ou na benevolência, os amores dão contrastes aos (des)encontros da vida.