Compreenda a procrastinação e sua relação com o desejo

procrastinarDeixar tudo para a última hora ou se atrasar para os compromissos são exemplos de procrastinação. A palavra é composta por pro (à frente) e cras (amanhã), ou seja, para amanhã. Em outras palavras, o famoso “empurrar com a barriga”.

O medo de quem procrastina é, por incrível que pareça, realizar seu próprio desejo. Ou seja, o sucesso é a maior ameaça e a pessoa acaba se “enrolando” para manter uma certa distância da responsabilidade. Afinal, a realização de um desejo implica em uma grande responsabilidade e demanda muito esforço.

Na procrastinação o sujeito se mantém na média e na ilusão de certa estabilidade. Não se lança em novas experiências nem se arrisca em alcançar o êxito. Isso fere o senso de que todo mundo deseja ser o melhor que pode ser e reconhecemos isso quando ouvimos que “fulano tinha tudo pra dar certo”, “você tem a faca e o queijo na mão, o que está esperando?”. Geralmente, o medo dá espaço para algumas pouquíssimas pessoas alcançarem sucesso.

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Há também a procrastinação no que tange ao desejo do outro (seja uma pessoa, um grupo ou uma instituição). Ou seja, a demanda alheia subtrai, imediatamente, sua vontade de agir. A tristeza lhe acomete principalmente quando o lugar que você ocupa é carente de sentido para sua vida, diminuindo sua potência em geral.

Criar agenda, rotinas, cronogramas, checklist com prazo de validade, enfrentar o medo, gerar desafios e compromissos inadiáveis para si são estratégias para enfrentar a procrastinação. Mas assumir o desejo e responsabilidade é o desafio mais complexo.

Ressalto que essa explicação descarta pessoas que possuam limitações por motivos de adoecimento, evitando a pretensão de se criar uma teoria sobre todas as manifestações de procrastinação. Avalie apenas o seu caso, pois muitas vezes o sentido envolvido neste processo pode ser inconsciente, se necessário procure uma ajuda profissional.

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Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

 

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Insônia infantil: o que é e como tratar

insôniaA insônia é caraterizada pela dificuldade de iniciar o sono ou de sua manutenção, principalmente ao acordar durante a noite e não conseguir dormir novamente. Em se tratando de crianças, o que poderia atrapalhar sua deliciosa soneca?
Em primeiro lugar, se for um quadro de insônia que persista por dias ou semanas, devemos avaliar as condições de seu local de descanso, a saúde da criança e da família como um todo. Eliminada a hipótese de alguma condição médica, consulte um profissional da psicologia para o tratamento adequado.
Muito da realidade da criança é a expressão dos símbolos da família e da (falta de) rotina do lar. Os sofrimentos infantis também podem ser a expressão da angústia dos adultos e a encarnação dos afetos que circulam pela casa, perturbando o sono sagrado.
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Também é fundamental considerar a alimentação, se há uso de algum tipo de medicação ou estímulos que possam deixá-la “acesa” ou incomodar o equilíbrio de seu organismo.
Além disso, há os casos de pais que ficam alerta para qualquer som emitido pela criança, gerando uma presença excessiva. Tratam um choro como o prenúncio de uma morte eminente. Oferecer fôlego, segurança e tranquilidade para todos é fundamental.
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O lugar da criança na família também faz toda diferença e algumas carregam um fardo que pesa toneladas para elas. Dê maior liberdade para as crianças e promova seu espaço, seja o berço ou a cama própria. O adulto deve saber dividir bem o mundo das crianças e dos adultos, e deve se cuidar para não tomar a criança enquanto substituta de algo ou alguém na hora de se deitar.
Por fim, conheça a criança, ouça seus medos e pesadelos, interesse-se pelas suas histórias e fantasias, seus monstros. É importante conhecer para dividir e não para invadir.
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São algumas dicas gerais que podem ajudar a cada um lidar com seu particular. O acompanhamento profissional também é fundamental. Compartilhe essas dicas que podem contribuir para um sono mais tranquilo e reparador!
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Alexandre V. Brito
ψ Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Algumas considerações importantes sobre o LUTO (entrevista completa)

LutoRespondi algumas dúvidas sobre o luto em uma entrevista para alunos de psicologia de Vitória – ES. Como podem ser dúvidas de tantas outras pessoas, estou compartilhando.

O que é luto?
Alexandre: O luto não é um transtorno mental ou uma patologia, mas uma experiência comum a todos nós por se tratar de um sofrimento psíquico. Ele surge diante da perda de um objeto amado ou desejado. É um relacionamento sério entre vida e morte. Emerge quando uma parte de nós, até então investida em algo ou alguém, se perde. É como tirar um ingrediente de nossa própria receita, por vezes insubstituível (mas nem sempre), em acordo com cada sujeito e seus processos de recuperação e elaboração da perda. O luto é o esforço de todo nosso organismo (mente e corpo) em viver uma perda, se desfazer e se reinventar de forma a seguir em frente.

Como as pessoas enfrentam a morte na sua história de vida?
Alexandre: Geralmente enfrentam em acordo com a importância de cada porto seguro que construiu em sua própria história somada a crença que cada um concebe sobre a morte. Depende do sentido que a morte (ou o do amor perdido) tem para cada um. Por exemplo, uma pessoa que investiu tudo em um só amor pode entrar em estado de melancolia ou ir em busca do amor perdido no suicídio. Isso não é regra, mas um exemplo que deixa isso bem evidente. No entanto, geralmente percebemos formas sadias de enfrentar a morte e viver o luto e, assim, retomar as energias de modo a investir na vida apesar da perda, renovando as forças para viver. Importante ressaltar que no momento da perda elas podem transformar tristeza em ódio ou negação, e isso pode ser parte do processo. Jamais devemos diminuir a dor do outro nestes momentos ou buscar negá-la (ex.: “Não fique assim!”, “Não chore!”), mas deve ser respeitada e acolhida, mesmo sem dizer uma só palavra. As vezes “a ficha cai” apenas com o tempo e é importante dar o tempo de cada um, mas nunca buscar evitar ou anestesiar a intensidade desta dor de existir. Luto não é esquecer, mas seguir diante “apesar de”.

Quais as diferenças entre luto normal e luto patológico?
Alexandre: Apesar de parecer interminável, o sofrimento torna-se cada vez mais suportável e são produzidos novos sentidos. O luto “normal” é quando toda nossa energia está se despedindo, aos poucos, do que faz ausência (no sentido material do termo). O luto possui um fim, e o que perdemos passa a fazer presença nas lembranças e nas heranças que deixaram marcadas pelo resto de nossa existência. Não paralisa o sujeito e é capaz de se transformar em boas memórias e com menos dor. Por outro lado, o “luto patológico” geralmente ocorre quando a perda do objeto não entra em processo de enfrentamento, recuperação, ressignificação e reinvenção de si. Pode desenvolver quadros de negação permanentes e recheados de certezas, agressividade (geralmente contra si mesmo), e não termina com passar do tempo. O luto nunca se torna uma cicatriz, mas sempre uma ferida aberta, podendo vir acompanhado de alucinações, perda de memória e de cuidado com aparência e saúde, insônia permanente, ideações suicidas e/ou o desinteresse pelas coisas cotidianas. São sinais que demonstram a necessidade da ajuda de um profissional da psicologia e/ou psiquiatria.

Como promover um melhor enfrentamento diante de uma perda?
Alexandre: Nossa educação formal e familiar geralmente é carente de educação para a morte, bem como é carente de educação financeira, educação alimentar, dentre tantas outras. Muitos pais não aceitam que os filhos percam nem nos jogos e acabam dificultando o processo deles de lidar com a perda, superá-la e seguir em frente. Saber perder é fundamental para saber viver. Querer viver sem jamais ceder é um passo para um “luto patológico” bem como para arruinar relacionamentos e mesmo tornar ambientes de convívio e de trabalho extremamente adoecedores. É importante saber se despedir, não visar a eternidade das coisas e saber lidar com o fato de que nós mesmos somos transitórios. A curta duração de algumas coisas pode torná-las mais valiosas do que algumas longas permanências. O apoio e disponibilidade de amigos e familiares é fundamental no processo do luto, e é recomendado que a pessoa possa se despedir dignamente de seu amor. É importante abordar o assunto sem medo de “piorar as coisas” ou tabus. No caso da morte, raramente faço objeções – não importa a idade – quando me consultam para saber se a pessoa enlutada pode ir ao velório e enterro, considerando que isso pode ser fundamental para uma despedida real. Cada um tem seu tempo e forma de viver a perda, mas é importante que esse enfrentamento ocorra.

Compartilhe, talvez seja um assunto importante para quem a gente menos espera.

Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Libido: o que é e qual sua relação com as nossas escolhas?

LibidoCotidianamente investimos energia (libido), em diferentes escalas, em objetos nos mais diversos campos da vida. Um pouco vai pro lazer, outra cota nos estudos, para determinada(s) pessoas e, geralmente, a maior parte vai pro trabalho diário. No entanto, essa libido possui um limite. Vamos calculá-lo?
O cálculo não é matemático, apenas hipotético. Usemos, portanto, a imaginação.
Enquanto uma energia “constante”, ao repartirmos ou no deslocamento da libido de um objeto para outro, ela é reduzida na sua relação com o objeto anterior. Por exemplo: Se essa energia fosse equivalente a 1L de água, ao dividi-la em 03 copos que comportem 1L cada um, podemos operar a divisão do líquido de inúmeras formas. Seria possível despejar mais água em um copo do que nos outros, com ou sem desperdício.
Sendo assim, “calcule” sua libido e perceba qual copo está mais cheio e se este investimento está saudável. Se esse copo for o trabalho, o que pode ocorrer com o copo do amor e sexo?
Vale ressaltar que o luto surge quando um copo revestido de amor se quebra.
Os cálculos nunca são exatos, mas podem ajudar a repensar a própria vida e assumir os investimentos de risco de forma responsável. Afinal, existem investimentos que se somam e outros que podem destruir uns aos outros.
Não poupe libido, curta e compartilhe este texto!

Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Considerações sobre a interpretação dos sonhos

Sonho“Sonhar acordado” é como almejar algo que não se tem. No entanto, vamos dar atenção ao que acontece quando dormimos. Sonhar é prova de que apenas uma parte de nós dorme, a outra se mantém ativa e incansável. Os sonhos são o resultado desta vida que vive em nós até nos cochilos mais profundos.
Nos sonhos sentimos cheiro, vemos cores, lembramos, nos assustamos, desejamos, ouvimos e falamos. A percepção está em dia mesmo quando dormimos. Mas o que percebemos, se estamos menos disponíveis aos estímulos externos? A matéria-prima dos sonhos são, predominantemente, os estímulos internos. Quais? Os desejos!
Contar seus sonhos é uma forma de interpretá-los e transformá-los para além da experiência sensível, e muitas vezes nos surpreendemos ao longo de sua narração com sentidos inesperados e ocultos nas imagens imediatas da cena onírica do (a) dorminhoco (a). Mas pra isso, é preciso lembrar e relatar. Contar um sonho pode ser surpreendente. Eis uma experiência fundamental nos atendimentos clínicos.
Todos sonhamos, mas nem todos nós lembramos disso. Nem sempre a gente quer lembrar o que deseja, nem desejamos o que queremos. Forças opostas podem uma esconder a outra, mas não significa que não estão presentes. Um sonho e seu relato não são uma experiência neutra, mas como uma carta com força de transformação, mas para lê-la é necessário abrir seu envelope.
 
Compartilhe com seus (as) amigos (as) sonhadores (as)! Sonhar é desejar e desejar é viver.
 
Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Na hora de procurar um ATENDIMENTO PSICOLÓGICO, como escolher o melhor pra mim?

PsicologiaO mais recomendado é que você se sinta a vontade de escolher o (a) profissional da psicologia/psicanálise que vai lhe acompanhar. Vamos levantar alguns pontos a serem considerados.

A) Plano de saúde. Muitas pessoas buscam profissionais disponíveis pelo plano de saúde. Eu mesmo fiz parte do quadro de professores na formação continuada de psicólogos (as) da Unimed e são excelentes profissionais. Peça ao seu plano a lista de profissionais e escolha um (a) ou peça indicações.
B) Gênero. Algumas pessoas se sentem mais à vontade em serem atendidas por mulheres (ou homens). Independente disso, é importante que sua escolha contribua para seu tratamento e que esteja diante de um (a) profissional que lhe traga confiança e te faça “sair do lugar”. Vale ressaltar que optar pelo gênero oposto à sua escolha inicial pode, inclusive, lhe surpreender e ajudar a tratar as dificuldades com um dos sexos.
C) Atendimento particular. Existem muitos consultórios particulares e a variedade é enorme. Sua escolha pode se basear no local de sua moradia, indicação de amigos ou outros profissionais, abordagem teórica, por conhecer o trabalho do(a) profissional, etc. Parte do pagamento a estes profissionais podem ser cobertos pelos planos de saúde também, sendo que a flexibilidade de acordos é maior, pois é uma relação sem intermediação de uma instituição.
D) Abordagem teórica. Existem diversas perspectivas teóricas na psicologia clínica. Caso tenha interesse em um tratamento específico, identifique os profissionais que atuem na área que você procura. Ligue, pergunte, tire todas suas dúvidas. Cada abordagem conduz o tratamento a diferentes lugares, seja visando um efeito terapêutico, seja para operar uma análise do inconsciente, seja para tratar uma questão específica, mesmo que, por vezes, esses efeitos sejam todos possíveis em um só tratamento.
E) Valore$. Ao entrar em contato com o (a) profissional, veja a questão dos valores e as regras que cada um possui. Por exemplo, há o valor do primeiro atendimento e o pagamento pode se dar a cada sessão, no início ou final do mês, etc.

Enfim, o importante é que o encontro com este profissional possa lhe dar novos fôlegos, lidar com o inusitado do desejo ou que contribua para enfrentar suas dores. Elas podem aumentar e diminuir ao longo do tratamento, isso faz parte, mas independente de gênero ou abordagem teórica, o que deve ser levado em consideração é a ética, o manejo e que você se sinta acolhido(a). Só não vale usar suas limitações para culpar o profissional, né!?
Uma pessoa que se cuida muda muito de sua vida e dos que lhe cercam.

Compartilhe, são informações que podem ser decisivas e preciosas para muita gente.

Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Considera-se uma pessoa ansiosa? Afinal, o que é a ansiedade?

ansiedadeEu estava ansioso para escrever esse texto. Afinal, fiquei imaginando como ele poderia ser escrito e seus resultados. E é justamente a imaginação um ingrediente fundamental na ansiedade, principalmente quando há um conflito ou momentos de decisão. A ansiedade também pode surgir durante uma expectativa qualquer, em uma lembrança ou fruto de um desejo paralisado pelo medo. Todos são uma aliança entre as coisas da vida temperadas pela imaginação e acompanhadas pelos afetos.
No entanto, é equivocado acreditar que a ansiedade é uma patologia ou que deva ser eliminada, pois se trata do resultado de uma experiência afetiva comum a todos nós. Pode ser, aliás, um excelente aliado e alerta enquanto uma espécie de “termômetro” para diferentes ocasiões em que nos encontramos.
Ela pode se expressar corporalmente (geralmente tensão, dor e desconforto) ou em forma de ideias persistentes (insegurança, medo e desconfiança, por exemplo). Mas nem sempre os sintomas físicos sabem os motivos de sua condição. É preciso aprender a ler o próprio corpo.
Nos casos em que a ansiedade e torna-se um transtorno que causa transtornos, uma companhia constante e/ou um impedimento para a vida devemos tratá-la com cuidado e atenção. Um acompanhamento psicológico pode ser fundamental para que o sujeito não seja dominado e vencido por ela, pois é uma experiência cansativa e consome muita de nossa preciosa energia.

Informação pode fazer toda a diferença, compartilhe!

Alexandre Vieira Brito
Psicólogo Clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968