Considera-se uma pessoa ansiosa? Afinal, o que é a ansiedade?

ansiedadeEu estava ansioso para escrever esse texto. Afinal, fiquei imaginando como ele poderia ser escrito e seus resultados. E é justamente a imaginação um ingrediente fundamental na ansiedade, principalmente quando há um conflito ou momentos de decisão. A ansiedade também pode surgir durante uma expectativa qualquer, em uma lembrança ou fruto de um desejo paralisado pelo medo. Todos são uma aliança entre as coisas da vida temperadas pela imaginação e acompanhadas pelos afetos.
No entanto, é equivocado acreditar que a ansiedade é uma patologia ou que deva ser eliminada, pois se trata do resultado de uma experiência afetiva comum a todos nós. Pode ser, aliás, um excelente aliado e alerta enquanto uma espécie de “termômetro” para diferentes ocasiões em que nos encontramos.
Ela pode se expressar corporalmente (geralmente tensão, dor e desconforto) ou em forma de ideias persistentes (insegurança, medo e desconfiança, por exemplo). Mas nem sempre os sintomas físicos sabem os motivos de sua condição. É preciso aprender a ler o próprio corpo.
Nos casos em que a ansiedade e torna-se um transtorno que causa transtornos, uma companhia constante e/ou um impedimento para a vida devemos tratá-la com cuidado e atenção. Um acompanhamento psicológico pode ser fundamental para que o sujeito não seja dominado e vencido por ela, pois é uma experiência cansativa e consome muita de nossa preciosa energia.

Informação pode fazer toda a diferença, compartilhe!

Alexandre Vieira Brito
Psicólogo Clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968

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Você sabe como lidar com uma fobia?

FobiaCaso já tenha experimentado um medo de “tirar o chapéu” com alguma coisa que não tenha nem mesmo feito cócegas ou arrepio nos outros, pode ser que a fobia já tenha lhe visitado algum dia. Geralmente a fobia é o medo na presença de um objeto específico em que, na sua ausência, os sintomas cessam parcial ou completamente.
O medo é uma derivação da tristeza. Ou seja, ao diminuir nossa potência de agir (tristeza), podemos sentir medo diante da causa dessa fraqueza. A fobia é quando sabemos qual a causa desse medo e, mesmo que não cause pavor nos demais, geralmente não há explicação racional que alivie o transtorno. O fóbico não quer ser compreendido, apenas respeitado.
Isso não significa que a fobia seja invencível ou irracional, pois ela tem uma lógica interna e pode ser enfrentada. Parte dela é compreensível e outra parte é uma significação profunda, afetiva, que não depende de explicações do senso comum. No entanto, evitar o objeto fóbico pode ser suficiente para uma vida sem paralisações.
Importante ressaltar que o tratamento “de choque” para forçar o contato com o objeto que causa pavor só piora o quadro. É tortura! Os cuidados devem se dar a partir dos elementos presentes na dimensão fóbica, abordando os sentidos (tanto físicos quanto lógicos) que ela possa comportar respeitando o tempo do sujeito. Há diversas variações da fobia, e isso deve ser considerado na direção do tratamento. Por vezes, um medo específico pode ser um pilar do sujeito e tentar arrancá-lo de qualquer forma pode produzir um desabamento. O importante é deixar que o fóbico domine sua fobia, mesmo que não a elimine.

Para mais esclarecimentos, deixe um comentário. Não tenha medo, compartilhe o texto e respeite a fobia alheia. A fortaleza pode ser, ao mesmo tempo, o ponto fraco. Fortaleza e fraqueza rimam e combinam para além de um simples jogo de linguagem.

Alexandre V. Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 999431968

Você sabe o que é a Síndrome de Burnout?

Sindrome de BornoutSentir-se esgotado com o trabalho pode ser altamente prejudicial à saúde em geral, ao ponto de tornar penosas as tarefas mais simples e provocar um distanciamento das pessoas que mais amamos.
Este desgaste pode derivar, principalmente, das intensas relações interpessoais somadas às condições inadequadas de trabalho. O esgotamento pode surgir em forma prejuízos na memória e atenção, com sintomas depressivos, dores de cabeça, variação da pressão arterial e batimentos cardíacos, despersonalização (a pessoa deixa de se reconhecer em muitas atitudes), variação no humor, pessimismo, temor de aspectos que envolvem o trabalho, dentre outros sinais.
As causas potenciais estão relacionadas com os workaholics (são os trabalhadores que desejam e exigem de si o melhor de forma competitiva e buscando o perfeccionismo, geralmente impaciente) e com pressões e demandas “surreais” do trabalho que se somam aos conflitos interpessoais.
Geralmente são os que afirmam que o seu sobrenome é “trabalho”. Há um preço para isso!
Estes sinais podem configurar a Sindrome de Burnout, mas para diagnóstico e tratamento procure um profissional de saúde, além de contar com apoio de familiares e amigos. Estes podem ser os primeiros a perceber que está na hora de você se cuidar, desenvolver sua educação financeira e alimentar, tomar decisões e alterar rotinas e estilo de vida.
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Alexandre Vieira Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968

Você realmente conhece o Transtorno Afetivo Bipolar?

bipolarPor vezes notamos que algumas pessoas (ou nós mesmos) amanhecem alegres e ao anoitecer encontram-se tristes, variando o humor ao longo do dia. Nestes casos, dizemos que “fulano (a)” é bipolar, pois se irrita com facilidade ou é exagerado (a) demais quando esta contente.
Porém, este contraste dos afetos não é suficiente para um diagnóstico, pois não somos imunes ao que ocorre ao longo do dia. Eis um caso em que o diagnóstico é realizado com critérios populares e pode estigmatizar o sujeito.
No entanto, segundo o Código Internacional de Doenças (CID 10), o transtorno é “caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados”. A mania (“euforia”) e a depressão (diminuição da energia) estão presentes e são perturbadoras para o sujeito e/ou pessoas próximas.
Geralmente a tristeza profunda e a euforia exuberante oscilam entre uma elevadíssima autoestima e seu justo oposto: a baixa autoestima com culpas dilacerantes e menosprezo por si.
Atenção, não confundir depressão com luto ou tristeza “comum”, nem mania com momentos de celebração ou em uso de substancias psicoativas. Para diagnóstico e tratamento procure um profissional de saúde, além de contar com apoio de familiares e amigos.
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Alexandre Vieira Brito
Psicólogo clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968

O que é a automutilação?

Sabe quando se roem as unhas ou se coça até sangrar? Até mesmo aquele corte que aparece ao se barbear?
São exemplos cotidianos de cortes reais (com ou sem dor) patrocinados por nós mesmos. O corpo torna-se alvo de pequenas feridas em consequência de alguma exposição potencialmente agressiva. O que mudam são as gradações disso. Um exemplo extremo seria, em uma estrada, “cortar” um veículo e causar um acidente fatal sabendo dos riscos. O corte nunca deixa de estar presente.
Algumas vezes a causa é uma ansiedade, ou algum sentimento de culpa ou, em grande parte das vezes, uma angústia (dor de existir). Há também casos em que a automutilação é quando o sujeito sente a vida apenas por meio da dor, gozando com isso e buscando novos modos de dor e de intensidade. Pode ser fatal.
Seja como for, há que se dar atenção a todos os casos possíveis, pois muitas vezes (acreditem se quiser) podem ser experiências sedutoras e contagiosas.
Portanto, é sempre necessário abandonar os julgamentos morais e dar voz à dor, ouvir o sofrimento, tratar as causas e fazer com que o destino não seja o corpo, mas as palavras e com elas seguir em frente. Escutar o sujeito e não temer em lidar com essa situação é fundamental. Buscar e/ou oferecer ajuda também faz toda diferença. É importante que um profissional possa acompanhar o caso.

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Alexandre Vieira Brito
Psicólogo Clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968

Você sabe o que é um ato falho?

Você sabe o que é um ato falho?

Sabe aquele momento em que você jamais poderia trocar o nome de uma pessoa… e troca? Ou gargalhar em uma situação em que sequer deveria sorrir timidamente? Quando tenta abrir a porta do trabalho com as chaves de casa, ou mesmo quando diz algo que simplesmente te escapuliu?
O Chaves define muito bem esses momentos quando diz que “foi sem querer querendo!” O ato falho (ou seria fato alho?) é uma espécie de tendência involuntária que contempla uma situação com uma verdade. Qual verdade? A verdade de um desejo, de um pensamento inconsciente que “vaza” para a luz do dia.
Não se trata de uma falta de atenção ou um erro, mas de uma oportunidade de dizer o que não se diz. O problema é tentar se justificar depois, pois geralmente um ato falho não tem retorno.
Aliás, podemos considerar que é um ato bem sucedido, pois apresenta uma verdade de uma determinada circunstância. Geralmente um ato falho provoca muitas risadas (ou grandes problemas), provando sua eficiência.

Gostou? Compartilha! Aceito sugestões de temas.

Alexandre Vieira Brito
Psicólogo Clínico / Palestrante
CRP 16/2808
(27) 99943 1968

O que podem as palavras?

As palavras são verdadeiras parasitas, se infiltrando em quase todas as nossas experiências. Ou, ainda, são as próprias experiências. Imagine uma pessoa apaixonada. Tudo é capaz de lembrar a pessoa amada e seus pensamentos não se ocupam de outra coisa senão da mesma coisa. Essa coisa pela qual o amor gira em volta, faz contorno, encontra e desencontra, atribuiu as melhores e piores qualidades. Como se fosse algo digno de estar em primeiro lugar, antes mesmo de si. Aliás, quem ama corre o risco de se apagar.

Supondo que o amante – ou amador, se preferirem – queira abordar sua preciosa companhia com palavras de amor, irão lhe sobrar palavras… ao mesmo tempo em que nenhuma será suficiente. O amor é essa coisa tão estranha e tão íntima. Tão fora e tão dentro. As palavras permanecerão como fonte, amparo e desamparo diante desta experiência em que tudo pode ser dito e que nenhum dito é capaz de tudo dizer. As palavras são parasitas que surgem quando menos esperamos, como quando o apaixonado é tomado pela lembrança de uma canção que descreve sua pobre condição.

As palavras são parasitas, pois não apenas são verdadeiras criaturas criadoras como participam de grandes transformações. Estão presentes nas inúmeras mudanças realizadas em nosso cotidiano. Dão sentido e, paradoxalmente, testemunham que este tem um limite. Correm o risco de tender ao infinito. Ao falarmos nossa língua somos capazes de criar a própria língua pois, afinal, ela é capaz de ser e deixar de ser a cada verso. Versa para o inesperado, o inusitado, versa para a certeza ou abre a dúvida. As palavras comem, vomitam e defecam. Ao mesmo tempo são capazes de lustrar, encantar, acariciar e completar. Mentem e confessam. São capazes de açoitar e de curar.

O que sai da boca do apaixonado realiza-se instantaneamente no dito. Em outras palavras, ama ao dizer. Odeia ao amar. Odeia dizer. Odeia ao dizer. Ama odiar. Odeia odiar. Odeia amar. Ama ao odiar. Ama amar o amor. Ama odiar o ódio. Odeia odiar o amor. Odeia amar o ódio. Odeia odiar o ódio.

Vale lembrar que as palavras também podem ser vazias. Elas podem ser tudo que elas podem ser, mesmo que nunca sejam uma só e mesma coisa, mesmo que nunca sejam o suficiente. São suicidas. São criadoras. Criam sua própria vida. Criam seu além e seu aquém. Contemplam tudo que podem contemplar, inclusive elas mesmas. Se unem e se abandonam na mesma velocidade. Sabem ser belas e horrendas.

Com isso aprendemos com elas que não dá para menosprezá-las. Nem fugir delas. Abraçá-las?Somos capazes de cada um criar sua própria língua, uma nova língua, uma nova vida. A língua é viva. Abandoná-las? Impossível?

Afinal, para insultar uma palavra,

só outra palavra.